Há muito tempo ele não era lembrado
Um dia que eu abri a gaveta e tinha lá dentro um Galaxy S8, guardado há uns seis anos. Não tinha mexido mais com ele — já tinha comprado um S23 Ultra, e o S8 ficou ali como celular de backup. Emergência total. Sistema desatualizado, parado no tempo.
Aí eu pensei: deixa eu instalar um sistema novo nele e ver o que dá pra modificar.
Ele já foi um top de linha. Por mais que hoje tenha uns oito anos de lançado, ainda tem um brilho. Ainda funciona. Ainda serve algum propósito.
Trocando a ROM depois de oito anos
Fui atrás de trocar a ROM — coisa que eu não fazia há muito, muito tempo. E a surpresa: não mudou nada. O processo é o mesmo. A única dificuldade real é achar um projeto que ainda esteja sendo mantido para um celular antigo. Mas tinha, parado ali pelo Android 14.
E só o fato de pegar um Galaxy S8, tirar ele de 2018 e colocar na atualidade, funcionando em pé de igualdade com celulares lançados recentemente, foi um refresco pra mim.
A tecnologia avança, evolui, vai além. Mas as coisas que ficaram para trás não morrem — elas continuam. E a gente precisa ter essa comunicação com esses dispositivos, de forma que consiga estender o uso deles.
Eu gosto de tratar os eletrônicos que eu tenho como artigos duráveis: algo que fica comigo de fato, e que com o tempo eu possa usar de outra forma.
O S8 voltou à vida e entrou no meu dia a dia. Não como celular principal — não dá: está lento, a bateria está defasada. Mas para uma função secundária, com Android puro instalado, funciona. E era uma experiência que eu já queria fazer há tempo: um projeto diferente, um celular pequeno e bonito para andar no dia a dia. Pronto.
O achado no Goofish
Como o tema voltou pro radar, comecei a procurar um projeto mais a fundo. E aí, navegando pelo Goofish — um marketplace chinês de usados —, vi do nada: Galaxy Z Flip 5 modificado.
Tive aquela barreira inicial para entender como a plataforma funcionava, mas deu tudo certo. E o que estava sendo feito era isso: pegando Z Flip 5 que não funcionavam mais (tela morta, defeito) e transformando em box Android — como se fosse uma TV Box, a um preço muito baixo. A versão de 512 GB com 12 GB de RAM estava saindo, na fonte, por uns R$ 450 a R$ 480.
Um Galaxy Flip, com processador top de linha, funcionando em outra formatação, por esse preço? Pra mim vale. Vale muito a pena. Conversei com a loja e encomendei — contei essa história em detalhes nesta anotação.
Por que não uma TV Box normal?
Porque eu já estava há muito tempo pesquisando uma TV Box nova e não achava um modelo bacana. Todas são muito voltadas só para consumo de multimídia — a pessoa que vai navegar entre aplicativos e pronto.
O meu uso era mais intrínseco ao sistema. Eu ia usar o sistema na televisão, e precisava de uma liberdade que TV Box nenhuma me daria.
O Flip na televisão
A TV Box que chegou era praticamente um celular sem tela, repensado:
- Saída HDMI
- Três portas USB
- Carregamento por USB-C
- Cooler instalado
Quando liguei, estava lá um sistema chinês — a mesma One UI, mas com um launcher por cima que brasileiro nenhum ia usar. Então fui modificar do meu jeito: instalei outro launcher, coloquei meus aplicativos, fiz as liberações necessárias.
Porque nem tudo vem ajustado. É um celular passando a funcionar em formatação de TV, então você precisa forçá-lo a se comportar assim:
- Forçar o funcionamento na horizontal
- Não bloquear a tela, sem senha
- Desligar o DeX
- Outras liberações para funcionar direto na TV via HDMI
E do nada, eu estava usando um Galaxy Z Flip 5 na minha televisão. Alinhei as expectativas com a entrega dele e tenho estado animado com a possibilidade de alterá-lo mais aos meus gostos.
Um lembrete interessante
Nunca subestime o Android.
O que eles fazem, literalmente, é pegar um celular Android que não está mais funcionando — que está sendo vendido a um preço de custo baixo, R$ 150,00, R$ 200,00 pela carcaça de um Flip sem tela — e ligar as portas no USB-C. HDMI, USB, alimentação por outra fonte. Só não tem o cooler, e o cooler dá pra fazer em casa.
Na esteira, o S21 FE foi pro teste também.
Pensando: deixa eu aplicar essas coisas aqui. Desde então estou me ocupando em fazer funcionar de verdade um celular ligado na TV no dia a dia.
Não é incomum ver um S21 FE que deu tela verde, trincou, acabou sem uso. Na hora de vender, vale muito pouco, pois não compensa arrumar a tela: vai vender por R$ 250, R$ 300, a preço de puro repasse. Um celular que ainda é rápido, potente, com bateria boa. E a gente dá um novo direcionamento pra ele: funcionar na televisão, conectar um controle, rodar emulador. Meu controle de PS5 funciona perfeitamente.
É sobre fazer durar e evitar desperdício
Quando eu penso no que a gente tem dentro de um celular desses — um processador potente, Wi-Fi, Bluetooth, GPS, sensores, lanterna, câmera —, o tanto de tecnologia embarcada é muito amplo. As possibilidades dentro daquele dispositivo são muito convidativas.
Desperdiçar isso a preço qualquer é muito desnecessário. Dá pra reaproveitar em casa, dá pra fazer coisas novas, e fica muito bacana.
Onde eu estou agora
É nessa pesquisa que eu tenho me ocupado ultimamente: entender como dou um uso melhor para os meus equipamentos, como a gente supera um pouco a obsolescência programada e faz nossos dispositivos durarem mais no dia a dia.
E é isso. Valeu!